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A crise inglesa continua!!!

6 de junho de 2009

No dia 25 de maio, publiquei neste Blog uma matéria sobre a crise política na Inglaterra. Desde então, outros políticos do partido trabalhista renunciaram e pressionam o primeiro ministro a fazer o mesmo. No entanto, o líder do governo anunciou uma reforma ministerial. Leia trechos da reportagem da Folha Online de ontem:

Brown anunciou uma restruturação de seu gabinete, e afirmou que, apesar das pressões, não irá renunciar. ‘Se eu não achasse que sou a pessoa correta para liderar essa equipe e enfrentar os nossos difíceis desafios, eu não estaria aqui’, disse em entrevista coletiva nesta sexta-feira realizada no número 10 da Downing Street, sede do governo britânico.

Gordon Brown

Ele manteve no cargo alguns dos principais ministros, como o das Relações Exteriores, David Miliband, e trouxe para mais perto de si Alan Johnson, que agora ocupa o cargo de ministro do Interior, e é apontado como seu possível sucessor.”

Com estas últimas declarações, dissidentes do Partido Trabalhista britânico preparam durante este fim de semana sua estratégia para forçar a substituição do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown.

A reestruturação do gabinete é uma clara tentativa de apaziguar. Pode dar certo, mas não acho que, em um país politizado como a Inglaterra, isso faça o povo esquecer os problemas tão rapidamente.

Interessante é perceber que muitos membros dos Trabalhistas, partido do Primeiro-Ministro, também defendem sua renúncia. Dizem que a saída de Brown seria melhor para o partido, dando a ele chance de sobrevivência e até de vitória nas próximas eleições.

Alguns Trabalhistas entendem que, quanto mais Brown ficar, mais seu partido se enfraquecerá, fazendo com que ele chegue a um possível fim do mandato na data normal sem chances de fazer seu sucessor. Sucessor esse que poderia ser, justamente, Alan Johnson, citado na matéria reproduzida acima.

Uma coisa é certa, os conservadores estão muito felizes com a grande cride do partido trabalhista. Eu, brasileiro, estou muito curioso de ver como a população inglesa vai se pronunciar frente ao escândalo e a tentativa do líder do governo de colocar panos quentes substituindo “algumas peças”. Sem fazer comparações…

Renato Pellizzari 

Corrupção internacional!!!!

25 de maio de 2009

O ministro-adjunto da Justiça da Grã-Bretanha, Shahid Malik, renunciou ao seu cargo na sexta-feira, dia 15/05, depois de ser acusado de infringir o código de conduta de ministros sobre gastos pessoais. O Código de Conduta Ministerial britânico afirma que integrantes do gabinete não podem usar sua posição de influência para obter vantagens financeiras.

Gordon Brown

Nas últimas semanas, a imprensa britânica divulgou acusações de mau uso do dinheiro público contra várias autoridades e parlamentares, levando o primeiro-ministro, Gordon Brown, a pedir desculpas em público. Mais de vinte parlamentares e ministros prometeram reembolsar o governo, depois que a imprensa divulgou que eles usaram verbas públicas para despesas pessoais.

 Enquanto isso no oriente, o ex-presidente da Coreia do Sul, Roh Moo-hyun, um reformista envergonhado por um escândalo de corrupção que sujou sua imagem, suicidou-se ao pular de uma montanha na manhã do último sábado, informou seu advogado. Roh governou a Coreia do Sul entre 2003 e 2008. Ele tinha 62 anos. O suicídio de Roh surpreendeu e comoveu o país.

Roh Mmoo Hyun

No mês passado, os promotores questionaram Roh durante 13 horas a respeito das acusações de que ele teria aceito mais de US$ 6 milhões em subornos de um empresário sul-coreano, quando era presidente. As acusações o deixaram profundamente envergonhado. “Sinto muito por ter desapontado vocês. Não tenho coragem de aparecer mais em público”, disse um Roh emocionado em 30 de abril, antes de dar o depoimento aos promotores.

Ao ler estas notícias sobre a política internacional, eu, como brasileiro, sinto um alívio e uma angústia. Meu alívio se justifica pela retirada de um enorme peso das costas ao comprovar que corrupção não é um “privilégio” brasileiro. Não que eu me sinta menos envergonhado, afinal, um erro nunca justificou o outro. Mas deteriora-se, assim, o resquício de “darwinismo social” que faz com que as pessoas acreditem na inferioridade latino-americana.

No entanto, minha angústia fica por conta da enorme diferença em relação às condutas adotadas pelos políticos nos diferentes países em discussão. Na Inglaterra os envolvidos sentem-se envergonhados e entregam seus cargos. Na Coreia o ex-presidente “entrega” sua vida por não suportar a dor e sofrimento que teria causado aos seus conterrâneos. Infelizmente, no Brasil eles se lixam para a opinião pública, não devolvem o que roubam, dão desculpas absurdas e se candidatam novamente. E o pior, se reelegem!!!

Renato Pellizzari