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Cuba de volta à OEA???

9 de junho de 2009

Revertendo um dos marcos da Guerra Fria no continente, os chanceleres que participam da 39ª Assembleia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), realizado em Honduras, chegaram na última quarta-feira a um acordo para revogar a suspensão de Cuba que começou há 47 anos.

“Já foi aprovada neste momento por todos os chanceleres, por consenso. Essa é uma notícia muito boa, reflete a mudança de época que se está vivendo na América Latina”, disse o ministro das Relações Exteriores do Equador, Fander Falconi. Segundo o equatoriano a decisão foi tomada “sem condições”, mas estabelece mecanismos para o retorno de Cuba –incluindo a concordância do país de cumprir as convenções da OEA sobre direitos humanos e outros assuntos.

Representantes da OEA

Alejandro Bolívar/Efe

Cuba foi suspensa da OEA por uma resolução aprovada em 22 de janeiro de 1962, em punição ao país por ter se juntado ao bloco comunista. A organização, sob forte influência americana, acusou o regime cubano de receber armas de “potências comunistas extracontinentais”, uma referência à União Soviética e à China. Na época, os Estados Unidos alegaram que a relação de Cuba com os países comunistas ameaçava o equilíbrio da região.  (fonte: Folha Online)

A postura do governo Obama ficou clara desde o início do mandato quando o presidente acabou com as restrições às viagens e envio de dinheiro à ilha. A promessa de acabar com a base de Guantánamo e, agora, o fim do veto à participação de Cuba na OEA demonstram a tentativa de aproximação entre os “antigos” rivais.

Base de Guantánamo

http://www.webhavana.com/CubaMaps/index.php?page=141

É verdade que não podemos ter certeza das intenções norte-americanas. No entanto, temos que dar um (ou mais) voto de confiança para esse presidente que tem surpreendido ao mundo com medidas consideradas impossíveis há um ano atrás. Até com o islã Barack Obama está tentando uma aproximação sem poupar críticas ao governo de Israel (este assunto merece um post só pra ele!!!).

Por outro lado, tentamos entender o fato do governo cubano estar “esnobando” a organização, que o desprezou por 47 anos, ao dizer que não existe interesse em fazer parte da mesma. Na verdade, enquanto Fidel Castro estiver vivo algumas questões ainda serão difíceis de resolver. O ex-ditador cubano escreveu no jornal estatal “Granma” que a OEA deveria não existir, e que a organização, historicamente, tem “aberto portas para o Cavalo de Troia –os Estados Unidos– devastar a América Latina”.  

Além disso, não podemos esquecer que o ingresso na OEA e, talvez, um possível fim do embargo econômico à ilha colocariam um fim nas melhores justificativas do governo cubano para todos os problemas que o país tem enfrentado nos últimos anos. Assim sendo, quem seria o culpado? Fidel?

Acredito que a aproximação seja uma questão de tempo. Um “charme” daqui, outro dali, e em breve tudo estará encaminhado. Cuba precisa de uma reestruturação e não deve perder essa grande oportunidade que o governo Obama está começando a oferecer. Vamos aguardar…

Aproveite e confira a opinião do nosso ministro das relações exteriores, Celso Amorim, sobre o assunto em reportagem da Folha Online.

Renato Pellizzari

EUA a caminho de Kioto!!!!

21 de maio de 2009

Nessa última terça feira todos nós (no mundo) recebemos uma notícia muito promissora. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta terça-feira um plano de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa que deverá estabelecer pela primeira vez um padrão de limites de poluição para veículos no país.

As novas regras, que passarão a valer a partir de 2012, preveem corte de 30% nas emissões de automóveis e caminhões leves até 2016. Os veículos também deverão apresentar um padrão de eficiência de 15 km por litro de combustível.

De acordo com a Casa Branca,  novo plano deverá representar uma economia de 1,8 bilhão de barris de petróleo até 2016 e será o equivalente a tirar 177 milhões de carros das ruas. Obama falou sobre o acordo histórico, em declaração na Casa Branca, na presença dos dirigentes dos grandes construtores automobilísticos presentes nos EUA, de defensores do meio ambiente e de dirigentes políticos.

Barack Obama

“Pela primeira vez na história, adotamos uma política visando tanto a melhorar o consumo por litro quanto a reduzir as emissões de gás causadores do efeito estufa dos carros particulares e das pick-ups vendidas nos EUA”, disse Obama.

Na verdade, o presidente deveria perceber (é provável que saiba) que “pela primeira vez na história” os norte americanos estão vendo um presidente com força política, carisma e, principalmente, coragem para realizar mudanças que, na nossa concepção, pareciam óbvias. Quem sabe, a assinatura do protocolo de Kioto por parte dos EUA não seja um sonho tão distante! O primeiro passo foi dado!

Renato Pellizzari