Revertendo um dos marcos da Guerra Fria no continente, os chanceleres que participam da 39ª Assembleia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), realizado em Honduras, chegaram na última quarta-feira a um acordo para revogar a suspensão de Cuba que começou há 47 anos.
“Já foi aprovada neste momento por todos os chanceleres, por consenso. Essa é uma notícia muito boa, reflete a mudança de época que se está vivendo na América Latina”, disse o ministro das Relações Exteriores do Equador, Fander Falconi. Segundo o equatoriano a decisão foi tomada “sem condições”, mas estabelece mecanismos para o retorno de Cuba –incluindo a concordância do país de cumprir as convenções da OEA sobre direitos humanos e outros assuntos.

Alejandro Bolívar/Efe
Cuba foi suspensa da OEA por uma resolução aprovada em 22 de janeiro de 1962, em punição ao país por ter se juntado ao bloco comunista. A organização, sob forte influência americana, acusou o regime cubano de receber armas de “potências comunistas extracontinentais”, uma referência à União Soviética e à China. Na época, os Estados Unidos alegaram que a relação de Cuba com os países comunistas ameaçava o equilíbrio da região. (fonte: Folha Online)
A postura do governo Obama ficou clara desde o início do mandato quando o presidente acabou com as restrições às viagens e envio de dinheiro à ilha. A promessa de acabar com a base de Guantánamo e, agora, o fim do veto à participação de Cuba na OEA demonstram a tentativa de aproximação entre os “antigos” rivais.

http://www.webhavana.com/CubaMaps/index.php?page=141
É verdade que não podemos ter certeza das intenções norte-americanas. No entanto, temos que dar um (ou mais) voto de confiança para esse presidente que tem surpreendido ao mundo com medidas consideradas impossíveis há um ano atrás. Até com o islã Barack Obama está tentando uma aproximação sem poupar críticas ao governo de Israel (este assunto merece um post só pra ele!!!).
Por outro lado, tentamos entender o fato do governo cubano estar “esnobando” a organização, que o desprezou por 47 anos, ao dizer que não existe interesse em fazer parte da mesma. Na verdade, enquanto Fidel Castro estiver vivo algumas questões ainda serão difíceis de resolver. O ex-ditador cubano escreveu no jornal estatal “Granma” que a OEA deveria não existir, e que a organização, historicamente, tem “aberto portas para o Cavalo de Troia –os Estados Unidos– devastar a América Latina”.
Além disso, não podemos esquecer que o ingresso na OEA e, talvez, um possível fim do embargo econômico à ilha colocariam um fim nas melhores justificativas do governo cubano para todos os problemas que o país tem enfrentado nos últimos anos. Assim sendo, quem seria o culpado? Fidel?
Acredito que a aproximação seja uma questão de tempo. Um “charme” daqui, outro dali, e em breve tudo estará encaminhado. Cuba precisa de uma reestruturação e não deve perder essa grande oportunidade que o governo Obama está começando a oferecer. Vamos aguardar…
Aproveite e confira a opinião do nosso ministro das relações exteriores, Celso Amorim, sobre o assunto em reportagem da Folha Online.
Renato Pellizzari
