Não esquecemos dos versos de domingo!!!

Por problemas técnicos ontem não foi postado nosso momento “verso e prosa”. No entanto, hoje contamos com uma participação mais do que especial. Digo isso não só pelo fato do autor em questão ser um grande amigo-irmão, mas pela riqueza de idéias e palavras (lembrando que nem sempre se confundem!) na sua forma poética de enxergar o mundo sem perder, pelo contrário acentuando, seu tom crítico que é peculiar.

Márcio Hilário, muito obrigado por esta que é, sem dúvidas, a primeira de uma série de “participações especiais” que sei que poderás nos proporcionar.

Minotauro

 

Dei de cara contra o muro,
Bem no labirinto de mim,
Pulei cá dentro, no escuro,
Ou qualquer lugar assim.

Continuo, então, vagando:
Não sei como estou aqui
Absorto no meu pranto,
Sem motivo pra seguir.

Em todo canto, meu rosto:
Minha poesia se desfez
Tanto amargo é o gosto,
Quanto agosto é o mês.

 Às vezes, até me levanto:
Não querendo desistir,
Dou dois passos num balanço
De onde tento não cair.

Não encontro uma saída
Mas não penso em me entregar.
Estou sempre de partida
E não tenho onde chegar.

 

Márcio Hilário

(02/07/06)

 

 

 

 

Foi na Faculdade de Letras da UFRJ que ouvi pela primeira vez uma frase de Octávio Paz que dizia o seguinte: “A pior das prisões é aquela em que se está trancado no quarto com a chave pelo lado de dentro”. Foi aí que descobri que prisioneiro mesmo é aquele que, embora de olhos fechados, é incapaz de sonhar com outros mundos.

Márcio Hilário é irmão, amigo, poeta, professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, diretor do Bloco Pós-natalino e Pré-carnavalesco Saco do Noel, entre outros…

Renato Pellizzari

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