Falo somente para quem falo:
quem padece sono de morto
e precisa de um despertador
acre, como o sol sobre o olho:
que é quando o sol é estridente,
a contra-pêlo, imperioso,
e bate nas pálpebras como
se bate numa porta a socos.
A última parte do poema é um recado para todos nós, que dormimos um sono de morto e que não abrimos os olhos a essas tragédias que se repetem a cada dia em todas as partes do mundo. Somos capazes de acordarmos e dormirmos como se nada tivéssemos a ver com a miséria alheia. Quando, na verdade, fazemos parte disso sim, porque somos as mentes pensantes que podem criar alternativas e soluções. Afinal, não é o que deveríamos fazer nas universidades: olhar o mundo, entender o mundo, mudar o mundo? Tudo bem, não fomos nós que produzimos toda essa miséria. Certamente, não poderão nos acusar disso. Mas, se felizmente não entramos para a história como os causadores do problema, por que sairmos dela como aqueles que não o solucionaram?
Pois é, certamente Garapa é um despertador amargo como o sol sobre o olho. E depois dele, acho que vou pensar duas vezes antes de dizer que um filme de “Sessão da Tarde” é simplesmente água com açúcar.
Márcio Hilário
(06/06/09)