Arquivo da categoria ‘Verso e Prosa’

Voltamos a ter poesias no nosso Blog!!!

23 de junho de 2010

É com muito orgulho que lhes apresento nosso novo blogueiro: Renan da P1 da unidade tijuca!!! Meu orgulho é pelo fato de ter sido professor do nosso poeta na 6ª série (ensino fundamental!!!) em um pequeno colégio em Vila Isabel. É um prazer imenso tê-lo na EQUIPE Qi!!!

O Renan nos presenteou com uma poesia sua ajudando a revitalizar a sessão “Verso e Prosa” do nosso blog. Vamos esperar outras…

MINHA CONCEPÇÃO DE AMOR

o amor pra mim não é algo que se possa descrever;
pra mim ele é a mistura de todos os sentimentos em um só;
por isso ele se torna o mais forte ,o mais puro ,o mais intenso;
acho que o amor é a união das almas;
ele não existe por completo,
não existe se só partir de um lado;
o amor e recíproco,ele é trocado,
só assim ele é completo,
quando vem das duas partes,
quando se ama e se é amado,
assim sim ele está presente por inteiro,
fazendo você sentir de verdade,
causando arrepios,
fazendo você cego e surdo para o resto das coisas,
fazendo você chorar,
fazendo você cantar e sorrir de alegria,
alegria por amar,
por ter quem você ama e que tambem te ama presente,
é ficar feliz ao ver essa outra pessoa,
e saber que ela tambem está feliz por ver você,
só ele faz você sentir o verdadeiro sabor de um abraço,
de um beijo,
com ele tudo se resolve,
tudo se acalma,
tudo se torna mais claro e mais colorido ao mesmo tempo,
tudo se torna mais fácil de se entender,
tudo se torna mais perfeito,
parece aos nossos olhos que tudo está certo,
e que não vai dar errado nunca,
esse é o amor pra mim,
a junção de sentimentos,
a junção de emoções, de sentidos , de gestos,
resumindo,
esse é o amor!!!!

 

Muito obrigado, Renan!!! Beijos,

Renato Pellizzari.

Voltamos com nossas poesias!!!

16 de agosto de 2009

O canto do sabiá (O sabiá de Irapujá)

 

Sabes que o sabiá sábio sabido

Sabia dos sinos e sinais

Sinais e sinos sinuosos

 

Cantava no canto

E encantava tantos com

Seu canto de encantar

 

Em Irapujá ia indo à igreja

Itu e Itaiá iam à idem igreja de lá

Iam índios Itus e índias Itaiás escutar

 

Sabem que o sabiá sábio sabido

Cantava de domingo aos mingos

Nos sinos da Oca Nossa Senhora de Irapujá

 

“A poesia retrata, de uma forma metaforizada, a catequização dos índios pelos Jesuítas no século XVI. O pássaro sabiá é metáfora dos jesuítas e o canto, da catequização. A poesia é baseada em aliterações para, justamente, fazer alusão à um canto, uma canção. A poesia tem um cunho essencialmente histórico, mesclado à ferramentas literárias.”

Esta é mais uma contribuição (incluindo a explicação) do nosso grande poeta da turma de pré-vestibular de Botafogo, Augusto Barros Mendes. Agradeço em nome de todos os alunos por você compartilhar conosco um pouco do seu nítido dom com as palavras.

 

Muito obrigado e PARABÉNS!!!

 

Renato Pellizzari

João Cabral de Melo Neto: uma poesia água com açúcar (Parte 5)

15 de junho de 2009

Falo somente para quem falo:

quem padece sono de morto

e precisa de um despertador

acre, como o sol sobre o olho:

 

que é quando o sol é estridente,

a contra-pêlo, imperioso,

e bate nas pálpebras como

se bate numa porta a socos.

 

 

         A última parte do poema é um recado para todos nós, que dormimos um sono de morto e que não abrimos os olhos a essas tragédias que se repetem a cada dia em todas as partes do mundo. Somos capazes de acordarmos e dormirmos como se nada tivéssemos a ver com a miséria alheia. Quando, na verdade, fazemos parte disso sim, porque somos as mentes pensantes que podem criar alternativas e soluções. Afinal, não é o que deveríamos fazer nas universidades: olhar o mundo, entender o mundo, mudar o mundo? Tudo bem, não fomos nós que produzimos toda essa miséria. Certamente, não poderão nos acusar disso. Mas, se felizmente não entramos para a história como os causadores do problema, por que sairmos dela como aqueles que não o solucionaram?

 

Pois é, certamente Garapa é um despertador amargo como o sol sobre o olho. E depois dele, acho que vou pensar duas vezes antes de dizer que um filme de “Sessão da Tarde” é simplesmente água com açúcar.

 

Márcio Hilário

(06/06/09)

João Cabral de Melo Neto: uma poesia água com açúcar (Parte 4)

14 de junho de 2009

Falo somente por quem falo:

por quem existe nesses climas

condicionados pelo sol,

pelo gavião e outras rapinas:

 

e onde estão os solos inertes

de tantas condições caatinga

em que só cabe cultivar

o que é sinônimo de míngua.

 

*  *  *

 

         Quem é esse que consegue sobreviver até mesmo quando tudo ao seu redor prova que a vida é impossível? O sertanejo é antes de tudo um bravo, já dizia Euclides da Cunha, mas João Cabral, diante de tanta míngua afirma que difícil é saber / (…) onde começa o homem / naquele homem. / Difícil é saber / se aquele homem / já não está / mais aquém do homem; / mais aquém do homem / ao menos capaz de roer / os ossos do ofício; / capaz de sangrar / na praça; / capaz de gritar / se a moenda lhe mastigar o braço. Infelizmente, existem pessoas que sofrem tanto que já nem mesmo lembram que são pessoas.

        

           Os personagens do poeta e as pessoas do documentarista se confundem numa mesma “vida severina”: os últimos versos aqui citados também foram do poema O cão sem plumas. Título estranho, já que um cão tem pelos e não plumas, mas no próprio poema isso se explica: Ser um cão sem plumas É quando a alguma coisa / roem tão fundo / até o que não tem. É o que ocorre em Garapa, quando, por exemplo, além de toda aquela miséria, vemos as moscas varejeiras disputarem as feridas abertas na pele de uma criança sem plumas, ou ainda as mulheres sem plumas serem exploradas pela lógica de uma sociedade patriarcal, na qual o homem não tem de se responsabilizar pelo cuidado das coisas da casa.

Márcio Hilário (continua)

João Cabral de Melo Neto: uma poesia água com açúcar (Parte 3)

13 de junho de 2009

Falo somente do que falo:

do seco e das suas paisagens,

Nordestes, debaixo de um sol

ali do mais quente vinagre:

 

que reduz ao espinhaço,

cresta o simplesmente folhagem,

folha prolixa, folharada,

onde possa esconder-se a fraude.

 

*  *  *

 

         Aqui o poeta faz uma apresentação do espaço, ou seja, do sertão. Existem imagens que são facilmente recuperáveis pela nossa mente quando estamos diante de palavras conhecidas. No entanto, elas podem não condizer com aquilo que realmente o poeta deseja representar. Nesse sentido, Cabral opta por metáforas concretas (palavras que conceito pela coisa): por exemplo, no poema O cão sem plumas, ele diz que a água do rio ao qual se refere (de lama e esgoto) em nada se parece com a água do copo de água. Por isso ele pergunta: Por que então seus olhos / vinham pintados de azul / nos mapas? Observemos, então, que, nesse cenário, não cabem folhagem, folharada ou folha prolixa (bonita e vistosa), mas cabem as árvores secas.

        

         E o que vemos no documentário? Longas tomadas em que as mulheres caminham, caminham, caminham e caminham por paisagens secas e cheias de não-vida. Aliás, a passagem de tempo está representada no filme também pela imagem do pássaro morto na árvore, que vai aparecendo cada vez mais seco.

Márcio Hilário (continua)

João Cabral de Melo Neto: uma poesia água com açúcar (Parte 2)

12 de junho de 2009

Resolvi, então, aceitar ao desafio de contribuir para o blog do meu amigo-irmão (espero mesmo é não atrapalhar!) interpretando um dos meus poemas preferidos de João Cabral para estabelecer um diálogo com o filme Garapa.

 

 

“Graciliano Ramos”, ao mesmo tempo em que homenageia a obra desse grande escritor, que também trabalhava a temática do sertão, faz uma auto-apresentação do projeto estético cabralino de composição. Para fins didáticos, apresentarei o poema parte a parte, entremeando-o de comentários. Lá vai:

 

GRACILIANO RAMOS

 

Falo somente com o que falo:

com as mesmas vinte palavras

girando ao redor do sol

que as limpa do que não é faca:

 

de toda uma crosta viscosa,

resto de janta abaianada,

que fica na lâmina e cega

seu rosto da cicatriz clara.

 

*  *  *

 

         Para João Cabral, a dureza de uma “vida severina” não pode ser representada por uma linguagem rebuscada e doce, como no falso sentido que o meu título sugeria antes. Uma condição tão sub-humana jamais deve ser ocultada pelo ritmo de uma entonação melódica de um verso cheio de lirismo.

 

        

      Para falar sobre o seco, é preciso ter também uma linguagem seca. Por isso, ele afirma trabalhar apenas com vinte palavras apenas. A imagem do sol retrata o elemento mais presente na vida de um sertanejo: o castigo do astro-rei, intensificado mais ainda pela ausência de chuva.

 

        

        Com relação à faca (uma dessas vinte palavras de sua poesia), ela é um símbolo da dor, do corte, do que provoca a ferida na pele e na alma do homem do sertão. Uma faca é algo que corta e certamente não passaríamos a língua na sua lâmina. Mas, curiosamente, se essa mesma faca estivesse suja pela deliciosa cobertura de um bolo, poderíamos cometer tal imprudência.

 

        

      É como Cabral vê a questão da linguagem: os floreios de uma palavra bela e sonora são como a cobertura do bolo, que esconde o que é a vida de faca do sertanejo. Vale lembrar que o título de um dos seus poemas é “Uma faca só lâmina” (veja que aqui não está nem o cabo para proteger a mão do corte!).

        

       O paralelo que podemos fazer com Garapa observa-se também no nível da linguagem: José Padilha, assim como já o fizera o fotógrafo Sebastião Salgado, optou pelas imagens em preto-e-branco. Certamente, aquelas imagens eram cruéis demais para merecerem algum colorido.

 

 

Márcio Hilário (continua)

Obs.: FELIZ DIA DOS NAMORADOS!!!

Um problema maravilhoso!!!

11 de junho de 2009

Como coloquei em um post anterior, convidei meu grande amigo Márcio Hilário a escrever sempre que quizesse no nosso blog. Fiquei muito feliz ao perceber que ele tinha se sentido, de certa forma, lisonjeado com o convite. O resultado após nossa clássica sessão de cinema de terças feiras foi um texto imenso sobre o “incômodo” (e fantástico) filme de José Padilha: Garapa.

E porque eu chamo o texto de um maravilhoso problema??? Por causa do tamanho!!! Eu esqueci de comentar com o nosso autor que o blog é “feito” de pequenas e rápidas informações. Quando comecei a ler o trabalho, ao mesmo tempo que segurava as lágrimas pela beleza dos sentimentos expressados em palavras, pensava: como vou passar essa preciosidade adiante??? 

Conversei com meus alunos leitores do terceiro ano do leblon e, juntos, tivemos uma ideia. Vou fazer uma sequência de posts, fragmentando o texto. Assim, poderemos desfrutar da obra por completo. Então, de hoje até segunda feira, teremos 5 posts. Aproveitem…

João Cabral de Melo Neto: uma poesia água com açúcar

 

Na última terça-feira, dia 02/06, aceitei ao convite do meu grande amigo-irmão Renato Pellizzari para retomarmos a nossa rotina semanal de cinéfilos. A sugestão do filme dessa vez partiu dele mesmo: Garapa, de José Padilha – diretor conhecido do grande público graças ao polêmico Tropa de Elite e pelo excelente documentário Ônibus 174.

 

 

Como somos movidos a debates e reflexões, após o filme, o que era bate-papo, veio a mim como um convite e tocou em mim como um desafio. Eis o motivo deste pequeno texto que aqui se vai tecendo.

 

 

O título tenta provocar e minimamente induzir o leitor ao erro: não, a poesia de João Cabral de Melo Neto não é ridiculamente fácil de entender; não, a linguagem não é melosamente carregada de uma doçura lírica à moda romântica; mas, sim, a poesia cabralina é sim água com açúcar. Pelo menos, tornou-se isso pra mim, depois que assisti ao filme de Padilha.

 

 

Garapa é o nome que se dá à mistura de água barrenta (tirada dos açudes em que os homens se confundem com os bichos, como no poema de Manuel Bandeira) com umas colheradas de açúcar. Esse é o único alimento que as mães do nosso sertão nordestino têm para dar a seus filhos, que muitas o tomam na mamadeira como se fosse leite. Soco no estômago!

 

 

É por isso que Cabral pra mim virou água com açúcar. Não porque minha visão sobre o poeta mudou, mas é que descobri um novo sinônimo pra Fome. Saí da sessão humilhado, envergonhado da minha cegueira, e, relembrando as cenas, percebi que aquelas pessoas-personagens já estiveram em Morte e vida severina, dizendo:

 

Somos muitos Severinos  
iguais em tudo na vida:   
na mesma cabeça grande   
que a custo é que se equilibra,   
no mesmo ventre crescido   
sobre as mesmas pernas finas   
e iguais também porque o sangue   
que usamos tem pouca tinta.   

 

E se somos Severinos   
iguais em tudo na vida,   
morremos de morte igual,   
mesma morte severina:   
que é a morte de que se morre   
de velhice antes dos trinta,   
de emboscada antes dos vinte   
de fome um pouco por dia   
(de fraqueza e de doença   
é que a morte severina   
ataca em qualquer idade,   
e até gente não nascida). 

Márcio Hilário (continua) 

Não esquecemos dos versos de domingo!!!

8 de junho de 2009

Por problemas técnicos ontem não foi postado nosso momento “verso e prosa”. No entanto, hoje contamos com uma participação mais do que especial. Digo isso não só pelo fato do autor em questão ser um grande amigo-irmão, mas pela riqueza de idéias e palavras (lembrando que nem sempre se confundem!) na sua forma poética de enxergar o mundo sem perder, pelo contrário acentuando, seu tom crítico que é peculiar.

Márcio Hilário, muito obrigado por esta que é, sem dúvidas, a primeira de uma série de “participações especiais” que sei que poderás nos proporcionar.

Minotauro

 

Dei de cara contra o muro,
Bem no labirinto de mim,
Pulei cá dentro, no escuro,
Ou qualquer lugar assim.

Continuo, então, vagando:
Não sei como estou aqui
Absorto no meu pranto,
Sem motivo pra seguir.

Em todo canto, meu rosto:
Minha poesia se desfez
Tanto amargo é o gosto,
Quanto agosto é o mês.

 Às vezes, até me levanto:
Não querendo desistir,
Dou dois passos num balanço
De onde tento não cair.

Não encontro uma saída
Mas não penso em me entregar.
Estou sempre de partida
E não tenho onde chegar.

 

Márcio Hilário

(02/07/06)

 

 

 

 

Foi na Faculdade de Letras da UFRJ que ouvi pela primeira vez uma frase de Octávio Paz que dizia o seguinte: “A pior das prisões é aquela em que se está trancado no quarto com a chave pelo lado de dentro”. Foi aí que descobri que prisioneiro mesmo é aquele que, embora de olhos fechados, é incapaz de sonhar com outros mundos.

Márcio Hilário é irmão, amigo, poeta, professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, diretor do Bloco Pós-natalino e Pré-carnavalesco Saco do Noel, entre outros…

Renato Pellizzari

Grande contribuição para o “Verso e Prosa”!!!

24 de maio de 2009

Marias e Anas (Aquário)

 Sentada no chão

Colorida de carvão

Pranteia de fome

Chora por não ter nome

 

Estende o punho

A cada terno que passa

Alguma moeda, alguém no mundo

Pode vê-la na massa?

 

Está com um semblante de vários

Olha-se no reflexo de um vidro

Sente um imenso vazio

É só mais um peixe no aquário

 

“Aquário” está entre parênteses no título porque é o título alternativo. A poesia é interessante, pois fala de uma forma poética e metafórica da realidade que encontramos hoje em dia nas ruas. Mendigos, miséria e etc. Acho legal pois dá abertura para a discussão de um tema muito importante e que, frequentemente, cai no vestibular.

 

O título é “Marias e Anas” pois são nomes comuns. E miséria, pobreza, ver mendigos na rua, infelizmente é uma cena comum atualmente. “Marias e Anas (Aquário)” retrata a dura realidade dos centros urbanos, focada na caracterização de uma mendiga, por meio de figuras de linguagens.

 

 

Bom, essa poesia está no meu blog (www.poesiasdoaugusto.blogspot.com). Tem outras poesais lá também. Espero que tenham gostado.


Forte abraço,

Augusto.
Augusto é poeta e nosso aluno da P1 de Botafogo. Faça como ele, mande sua colaboração para o nosso Blog. Pode ser uma poesia, uma foto de um evento da sua turma, uma curiosidade, uma notícia, etc. Você escolhe, afinal, o Blog é seu!!!

Renato Pellizzari
 
 

 


 

 

 

Poema atrasado…e engajado!!!

19 de maio de 2009

Eu sei que o combinado é aproveitar os maravilhosos dias de domingo para postar na nossa categoria “versos e prosas”. No entanto, não pude deixar pra hoje a continuação dos “fantasmas da ditadura”. Mas para que não percamos o bom costume de apreciar belas palavras em prosa (ou verso!!!rs)…

E para não perder o foco nas possíveis discussões em relação ao regime militar brasileiro, gostaria de destacar um poema que representa bem a necessidade de estarmos aqui, utilizando esse espaço para debates, esclarecimentos, idéias, palavras…  Não podemos, nunca, PERDER A NOSSA VOZ!!!! 

POEMA DE MAIAKOVSKI

Primeiro, eles vêm à noite, com passo furtivo

arrancam uma flor

e não dizemos nada.

No dia seguinte, já não tomam precauções:

entram no nosso jardim,

pisam nossas flores,

matam nosso cão

e não dizemos nada.

Até que um dia o mais débil dentre eles

entra sozinho em nossa casa,

rouba nossa luz,

arranca a voz de nossa garganta

e já não podemos dizer nada.