Arquivo da categoria ‘Filmes e livros’

“Garapa” mostra a fome no nordeste do Brasil!!!

28 de maio de 2009

Vencedor do Urso de Ouro no ano passado com “Tropa de Elite”, José Padilha volta à Berlinale com o documentário “Garapa”, parte da seção Panorama Dokumente do festival. Exibido pela primeira vez hoje, quarta (11), o filme causou forte impressão na platéia mista formada pelo público regular e jornalistas. É um retrato cru e avassalador dos efeitos da fome em famílias pobres do Nordeste do Brasil. E se encaixa perfeitamente no escopo politicamente engajado da 59ª. edição. Rodado em preto e branco, sem grandes recursos visuais e nenhuma trilha sonora, distancia-se muito de “Ônibus 174″, filme que projetou a carreira do diretor no Brasil e no mundo.

José Padilha

Padilha apresentou a sessão e, depois da projeção, respondeu a algumas perguntas. Ele disse que teve a idéia de fazer o documentário a partir de conversas com um amigo que trabalha na organização não governamental IBase e coleta dados sobre a fome no Brasil. O cineasta decidiu, então, mostrar de maneira objetiva quais os efeitos desse círculo vicioso que atinge, segundo dados da ONU, 950 milhões de pessoas no mundo inteiro.

Garapa, cena do filme

“Garapa” acompanha a rotina de três famílias pobres do nordeste brasileiro que vivem diariamente o círculo vicioso da fome. Parte desse ciclo está no fato de que os pais usam o recurso da “garapa” - água com açúcar levemente quente - para enganar o estômago das crianças e dar a elas energia para passar o dia. “A questão aí é que isso não resolve o problema”, explicou ele. “E essas crianças crescem mal nutridas, sem condições de aprender e de disputar espaço no mercado de trabalho.” (UOL Cinema)

A importância de um filme como este é muito maior do que se imagina. Essa infeliz realidade de grande parte do povo brasileiro (e mundial) fica, muitas vezes, distante dos nossos olhos. Sabemos que a fome existe, mas não podemos vê-la. Vemos um menino de rua, sua sujeira, suas feridas, sua tristeza…mas não podemos ver a sua fome. Não passamos o dia inteiro ao seu lado para perceber que ele não teve o que comer!!! 

Além do papel de conscientizar o mundo, no caso brasileiro, o filme pode servir para debatermos a importância de políticas de Estado como o “Fome Zero”. No filme, uma família recebe o benefício do governo e o diretor pergunta de que forma o dinheiro é gasto. Quando questionado, Padilha pareceu favorável à medida adotada contra a fome.

A estréia do filme está programada para o dia 29/05, próxima sexta-feira.

Renato Pellizzari

Contra a homofobia (parte 2)

20 de maio de 2009

Parece que o assunto está, realmente, merecendo uma atenção especial. No último dia 8 estreou nos EUA um documentário que revela quem são os políticos gays que escondem sua orientação sexual e, do armário, comandam campanhas conservadoras contra gays e lésbicas nos Estados Unidos, votando contra os seus.

“Outrage” mostra, nas palavras do diretor Kirby Dick, “personagens shakesperianos”, gente que, em troca de uma carreira política e do poder, é capaz de viver vidas duplas, trair suas esposas, satisfazer instintos em encontros fortuitos em banheiros públicos ou bares gays no meio do nada. E este é o trunfo e o espetáculo do documentário, muito apropriadamente chamado, pelo jornal “The Washington Post” de “pesadelo de relações públicas para os políticos americanos no armário”.

kirby Dick

- As pessoas chegam ao cinema pensando: mas afinal, o que temos a ver com o que os políticos fazem na cama? E saem do cinema impressionadas com a hipocrisia de políticos gays que fazem o maior esforço para impedir a aprovação de direitos civis de gays e lésbicas, enquanto fazem sexo anônimo nos banheiros. É gente que, por medo de se assumir e com a autoestima em baixa, transforma a vida dos homossexuais dos EUA num inferno. Isso é inaceitável e indigno, por isso decidi chamar o filme assim (”Outrage” significa ultraje) - contou Kirby Dick.

Prisão de gays em Moscou

Já na Rússia, no dia 16, as forças de segurança detiveram mais de 80 pessoas que tinham previsão de realizar uma parada gay não autorizada em Moscou. Peter Tatchell, um conhecido ativista britânico defensor dos direitos humanos e dos homossexuais, estava entre os detidos.

Podemos perceber que a homofobia não é uma realidade apenas americana, mas mundial. Espero que as denúncias e manifestações, atreladas a um amplo processo de conscientização, possam conduzir a humanidade a uma nova realidade, onde as pessoas sejam verdadeiramente respeitadas.

Renato Pellizzari

Oliver Stone, um dos mais polêmicos diretores do cinema.

9 de maio de 2009

Oliver Stone estudou nas universidades de Yale e de Nova Iorque. Uma característica de seus filmes reside no uso de câmaras e formatos de filme diferentes, que podem ir do VHS ao filme de 8mm até 70mm. Escreveu ou participou em todos os filmes que dirigiu, à excepção de U Turn, de 1997.

Oliver Stone

Alguns críticos acusam Stone de ser um teórico da conspiração, e que os seus filmes manipulam os espectadores. Mas apesar disso, muitos consideram também que Stone é um dos melhores realizadores de Hollywood, e também o mais controverso.

Um filme menos conhecido, mas que ajuda a entender o tom crítico do diretor é “Talk Radio - verdades que matam”, de 1988, no qual um homem tem um programa de rádio e utiliza o espaço para expor os podres da América e questionar os poderes políticos. As suas verdades, no entanto, começam a gerar ódio, pois muitas vezes agridem outras verdades.

JFK

Mas a fama de teórico da conspiração vem, na verdade, por filmes mais polêmicos, como “JFK - A pergunta que não quer calar”, de 1991. No longa, o diretor examina várias teorias sobre o crime que abalou a estrutura norte-americana, o assassinato do então presidente John F. Kennedy em 1963. O filme aproveita o fato de três quartos dos americanos duvidarem da versão oficial na qual apenas um homem, Lee Oswald, é o responsável pelo assassinato. O diretor fez um impressionante trabalho de pesquisa, num dos maiores desafios da sua carreira, provar que o presidente foi morto por uma conspiração envolvendo revolucionários cubanos, a CIA e a própria cúpula do governo americano. Vale a pena conferir…

Em 2008, o diretor lançou o filme W., onde traz a vida do 43º Presidente dos Estados Unidos para as telas de cinema. W. leva os espectadores através da agitada vida de Bush - seus esforços e seus triunfos, como ele achou em sua mulher a fé, e claro, os críticos dias que o conduziu a decisão de invadir o Iraque. Mas, em breve,  falaremos  deste  e de outros importantes filmes de Oliver Stone. Aguardem!!!

Renato Pellizzari

CHE - O filme. A construção do mito continua!!!

29 de abril de 2009

Não é uma questão de definir se Ernesto Guevara é ou não um herói. Sua formação em medicina, a famosa viagem de lambreta, seus princípios socialistas, a importante participação na vitoriosa revolução nacionalista cubana de 1959 e sua morte como “romântico guerrilheiro latino americano” fazem de Che uma das figuras mais mitológicas que o mundo ocidental conheceu no século XX. 

A mais famosa imagem de Che, baseada na foto de Alberto Korda, está no braço de Diego Maradona, na costela de Mike Tyson e no biquini de Gisele Bündchen, além de milhões de camisetas pelo mundo. Alguns chegam  a afirmar que, em questão de exposição, só perde para a imagem de Jesus Cristo. Em algumas cidades bolivianas, o revolucionário argentino é representado pos santeiros e sua imagem é vista como miraculosa. É isso mesmo, Che virou santo!!! E para todas as causas, acrescenta uma devota boliviana.

images

No entanto, hoje em dia, alguns historiadores procuram explicar o fenômeno ao mesmo tempo que informações sobre a conduta violenta do revolucionário vem à tona. O gênio impiedoso, acompanhado das inúmeras execuções sob comando do líder argentino fazem com que muitos ao redor do mundo o chamem de assassino!!!

Mas esse não é nosso objetivo, não queremos julgar o “braço direito” de Fidel Castro. O importante é estarmos atentos aos debates que podem ocorrer em relação ao protagonista do novo filme de Benicio Del Toro (ator e produtor). 

O longa metragem, por sinal, é excelente. Uma histórica descrição do processo revolucionário - o exílio no México, a guerrilha em Sierra Maestra e os confrontos até o caminho de Havana - é entremeada com cenas do então ministro Che Guevara (pós revolução de 1959) em viagem às Nações Unidas, entrevistado por uma repórter norte-americana. As idas e vindas do filme às vezes confundem aos leigos. Mas se você for ao cinema já sabendo da “configuração” do filme, tudo fica mais fácil.

cena do filme

A representação de Del Toro (Che) e do astro brasileiro, Rodrigo Santoro (Raúl Castro), dão uma pitada a mais à produção. O final não contagia, até porque teremos uma continuação que estréia dia 31 de Julho. O mês é simbólico, uma vez que marca o aniversário de 56 anos do início da revolução, 26 de Julho de 1953 (tentativa frustrada de tomada do quartel de Moncada).

 O resultado do filme, mesmo mostrando cenas que evidenciam o “outro lado do homem”, é o fortalecimento do mito CHE GUEVARA, o herói de uma infinidade de jovens que, às vezes, mal conhecem a história de seu ídolo. Ou seja, a construção…continua!!! 

Essa é nossa primeira sugestão de filme, mas corra para os cinemas ou vai acabar vendo o mesmo em DVD. Como não tem muita procura, por ser considerado um filme “cabecinha”, logo sairá das salas de exibição.

Quem quiser saber um pouco mais sobre o filme, este é um ótimo site.

Um grande abraço para todos e ótima pipoca!!!

Renato Pellizzari