Arquivo da categoria ‘Atualidades’

Camarada Obama???

4 de junho de 2009

Em março deste ano a Veja.com publicou uma reportagem sobre a postura dos políticos de direita norte americanos frente as medidas do presidente Barack Obama para enfrentar a crise internacional. Acompanhe alguns trechos da reportagem…

“Eminências da direita mais empedernida da política americana deram para denunciar que as medidas tomadas por Obama para combater a crise estão colocando os Estados Unidos na rota do socialismo. O senador republicano Jim DeMint, da Carolina do Sul, diz que Obama é “o melhor propagandista do socialismo“. O ex-quase-presidenciável Mike Huckabee, que perdeu a disputa pela candidatura para o senador John McCain, disse que Obama está criando “repúblicas socialistas” no país, e completou: “Lênin e Stálin iam amar isso aqui”.

camarada Obama

O assunto virou capa de revista e está nos parachoques dos carros na forma de adesivos que saúdam o presidente como “camarada Obama” e o país como “União dos Estados Socialistas da América”. Os trombeteiros do “socialismo americano” começaram a se agitar porque, para domar a crise, o governo americano está drenando oceanos de dinheiro público na economia, despertando o perigo do gigantismo estatal.

revista Veja

A uma única seguradora, a AIG, já deu 180 bilhões de dólares. Só para os dois maiores bancos, Bank of America e Citigroup, entregou 100 bilhões. Às duas maiores indústrias automobilísticas, GM e Chrysler, foram 17 bilhões e talvez despache mais 22 bilhões. O mais pedestre raciocínio ideológico concluiu que, se a Casa Branca está se metendo em diversos setores da economia, o socialismo chegou à América. Ou, se ainda não chegou, está a caminho.

A coisa piorou quando Obama entregou ao Congresso sua proposta de Orçamento para o ano fiscal de 2010. Com 10 000 páginas e 3,6 trilhões de dólares, a proposta é ousada e promete uma guinada radical em boa parte das políticas públicas que os Estados Unidos vêm adotando nos últimos trinta anos. Obama propõe universalizar o sistema de saúde, incorporando os 40 milhões de americanos que hoje não têm qualquer tipo de assistência.”

Sabemos que as medidas de Obama estão muito distante do modelo socialista implementado por Lênin e companhia na Rússia revolucionária (1917). Além das diferenças de caráter político, a própria economia dos EUA está muito distante do socialismo.

Acredito, na verdade, em mais uma grande mutação desse sistema capitalista. Não há mais espaço hoje para análises simples tendo como referência apenas a dicotomia entre Liberalismo e Intervencionismo. Em breve estaremos lidando com uma nova nomenclatura para esse sistema híbrido que parece surgir.

GM logo

Com o anúncio da estatização de 70% da General Motors (GM) nos EUA é provável que Obama tenha que encarar um novo “chilique” da direita norte americana além de fazer com que os “mais antigos” no mundo inteiro fiquem um pouco confusos.

Hoje, desci no elevador com um vizinho muito intelectualizado que, inclusive, já lançou alguns livros. Falamos sobre as últimas notícias e, segurando a porta no andar em que eu ia saltar para mais alguns segundos de conversa, o ouvi dizer: “Eu tenho me encontrado com alguns amigos, uns senhores de aproximadamente 70 anos, e estamos nos esforçando muito para conseguir entender este  mundo!!!”

Renato Pellizzari

Nazistas brasileiros!!!

1 de junho de 2009

Leiam o trecho da reportagem da revista Istoé de maio.

“Neuland é uma “nova terra”, onde não falta emprego aos cidadãos e o salário mínimo é de 840 euros (R$ 2,4 mil). Nesta República Federativa, o hino nacional é o último movimento da Nona Sinfonia de Beethoven e a capital foi batizada de Magno - para afirmar sua grandiosidade. Há três prédios interligados, com 200 mil metros quadrados e 160 andares cada um.

Neuland poderia ser o país fictício de uma narrativa fantasiosa. Mas a mente de quem criou esta nação-babel, com 20 idiomas oficiais, é a mesma que está sendo acusada de planejar a morte de um rival, motivada por uma ideologia que já foi usada para justificar o assassinato de milhões de pessoas no século passado e se mostra viva no Brasil de 2009: o nazismo.

O paulista Ricardo Barollo, 34 anos, coordenador de projetos especiais da empreiteira Camargo Corrêa, foi apontado como mandante do crime que tirou a vida do estudante de arquitetura mineiro Bernardo Dayrell, 24, e sua namorada, a estudante Renata Waechter, 21, na madrugada de 21 de abril em Campina Grande do Sul, no Paraná, devido a uma disputa de poder. O crime descortinou uma rede organizada de nazistas no País, com ramificações em vários Estados e conexões com outros países.

Nazistas

Barollo e Dayrell eram líderes dos dois maiores movimentos nacionais. Defendiam que a raça branca estava em extinção e, por isso, a miscigenação deveria ter fim. A Neuland seria o país de extrema direita pautado na mesma ideologia que o ditador Adolf Hitler implantou na Alemanha a partir de 1934. Primeiro, o grupo tomaria São Paulo e os Estados do sul do País. Depois, conquistaria o território de 22 países da Europa.”

É difícil até encontrar palavras para dizer o quanto eu estou indignado com a matéria. Na verdade, isso não é novidade, mas o grau de complexidade que alcança é o que impressiona. A questão do neo nazismo deve ser trabalhada na nossa sociedade. Não podemos permitir sinais de intolerância tão brutais como esses.

Aleksander Laks

Para que possamos estudar melhor o tema e organizar debates sobre o assunto, nós do Qi estamos organizando uma grande aula sobre nazismo, que contará com a participação de um grande amigo, Aleksander Laks, sobrevivente do maior campo de concentração que os nazistas criaram na década de 30, Auschwitz. Seu testemunho nos ajudará a compreender esse grande horror da história da humanidade, o holocausto. Agardem…

Renato Pellizzari

“Garapa” mostra a fome no nordeste do Brasil!!!

28 de maio de 2009

Vencedor do Urso de Ouro no ano passado com “Tropa de Elite”, José Padilha volta à Berlinale com o documentário “Garapa”, parte da seção Panorama Dokumente do festival. Exibido pela primeira vez hoje, quarta (11), o filme causou forte impressão na platéia mista formada pelo público regular e jornalistas. É um retrato cru e avassalador dos efeitos da fome em famílias pobres do Nordeste do Brasil. E se encaixa perfeitamente no escopo politicamente engajado da 59ª. edição. Rodado em preto e branco, sem grandes recursos visuais e nenhuma trilha sonora, distancia-se muito de “Ônibus 174″, filme que projetou a carreira do diretor no Brasil e no mundo.

José Padilha

Padilha apresentou a sessão e, depois da projeção, respondeu a algumas perguntas. Ele disse que teve a idéia de fazer o documentário a partir de conversas com um amigo que trabalha na organização não governamental IBase e coleta dados sobre a fome no Brasil. O cineasta decidiu, então, mostrar de maneira objetiva quais os efeitos desse círculo vicioso que atinge, segundo dados da ONU, 950 milhões de pessoas no mundo inteiro.

Garapa, cena do filme

“Garapa” acompanha a rotina de três famílias pobres do nordeste brasileiro que vivem diariamente o círculo vicioso da fome. Parte desse ciclo está no fato de que os pais usam o recurso da “garapa” - água com açúcar levemente quente - para enganar o estômago das crianças e dar a elas energia para passar o dia. “A questão aí é que isso não resolve o problema”, explicou ele. “E essas crianças crescem mal nutridas, sem condições de aprender e de disputar espaço no mercado de trabalho.” (UOL Cinema)

A importância de um filme como este é muito maior do que se imagina. Essa infeliz realidade de grande parte do povo brasileiro (e mundial) fica, muitas vezes, distante dos nossos olhos. Sabemos que a fome existe, mas não podemos vê-la. Vemos um menino de rua, sua sujeira, suas feridas, sua tristeza…mas não podemos ver a sua fome. Não passamos o dia inteiro ao seu lado para perceber que ele não teve o que comer!!! 

Além do papel de conscientizar o mundo, no caso brasileiro, o filme pode servir para debatermos a importância de políticas de Estado como o “Fome Zero”. No filme, uma família recebe o benefício do governo e o diretor pergunta de que forma o dinheiro é gasto. Quando questionado, Padilha pareceu favorável à medida adotada contra a fome.

A estréia do filme está programada para o dia 29/05, próxima sexta-feira.

Renato Pellizzari

Testes nucleares norte-coreanos…a nova Guerra Fria!!!

26 de maio de 2009

A Coreia do Norte anunciou na última segunda-feira, 25, que realizou com sucesso um teste nuclear subterrâneo semanas depois de ameaçar restabelecer seu programa atômico. A Agência de Notícias Central Coreana, órgão estatal, disse que o teste faz “parte das medidas para sua linha de autodefesa nuclear“.

mapa_korea_teste

Também foram testados dois mísseis de curto alcance, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap. Inicialmente, a agência havia informado que a Coreia do Norte havia testado um míssil terra-ar, com alcance de 130 km. Posteriormente, citando fontes, a Yonhap disse que foram disparados três mísseis.

Barack Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse, em breves declarações na Casa Branca, que a comunidade internacional deve agir em resposta ao teste nuclear realizado pela Coreia do Norte. Obama ainda qualificou o ocorrido como “irresponsável” e uma forte “violação do direito internacional”. “As tentativas da Coreia do Norte para desenvolver armas nucleares, bem como seu programa de mísseis balísticos, constituem uma ameaça à paz e à segurança internacionais”, completou.

Líderes mundiais condenaram a Coreia do Norte pelos testes nucleares. Enquanto países se preparavam para uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, o chefe de política externa da União Europeia, Javier Solana, qualificou o teste nuclear de “violação flagrante” de uma resolução do Conselho, algo que requer “uma resposta firme”.

China, Rússia, França e Grã-Bretanha - que, com os EUA, são membros permanentes do Conselho de Segurança - expressaram alarme diante do teste nuclear realizado pelo Estado isolado, que, segundo Moscou, foi tão potente quanto a bomba atômica que os EUA lançaram sobre Nagasaki na 2a Guerra Mundial. A condenação unânime de todo o mundo ressaltou o isolamento da Coreia do Norte.

É importante lembrar que a Coreia é dividida desde o final da segunda guerra mundial. O território ao norte do paralelo 38 foi declarado comunista com apoio da URSS e o território ao sul, capitalista apoiado pelos EUA em plena guerra fria. Entre 1950 e 1953 as Coreias estiveram em guerra, mas o final foi um acordo que mantém o país dividido até hoje.

Este é o medo dos EUA e aliados. Um país de cerca de 20 milhões de pessoas, altamente militarizado, sob uma ditadura comunista que anunciou estar pronto para lutar contra um possível ataque preventivo norte-americano. Há, ainda, o medo dos norte-coreanos passarem tal tecnologia para países considerados perigosos ou venderem as armas para terroristas.  O mundo está em alerta!!!

Renato Pellizzari

Corrupção internacional!!!!

25 de maio de 2009

O ministro-adjunto da Justiça da Grã-Bretanha, Shahid Malik, renunciou ao seu cargo na sexta-feira, dia 15/05, depois de ser acusado de infringir o código de conduta de ministros sobre gastos pessoais. O Código de Conduta Ministerial britânico afirma que integrantes do gabinete não podem usar sua posição de influência para obter vantagens financeiras.

Gordon Brown

Nas últimas semanas, a imprensa britânica divulgou acusações de mau uso do dinheiro público contra várias autoridades e parlamentares, levando o primeiro-ministro, Gordon Brown, a pedir desculpas em público. Mais de vinte parlamentares e ministros prometeram reembolsar o governo, depois que a imprensa divulgou que eles usaram verbas públicas para despesas pessoais.

 Enquanto isso no oriente, o ex-presidente da Coreia do Sul, Roh Moo-hyun, um reformista envergonhado por um escândalo de corrupção que sujou sua imagem, suicidou-se ao pular de uma montanha na manhã do último sábado, informou seu advogado. Roh governou a Coreia do Sul entre 2003 e 2008. Ele tinha 62 anos. O suicídio de Roh surpreendeu e comoveu o país.

Roh Mmoo Hyun

No mês passado, os promotores questionaram Roh durante 13 horas a respeito das acusações de que ele teria aceito mais de US$ 6 milhões em subornos de um empresário sul-coreano, quando era presidente. As acusações o deixaram profundamente envergonhado. “Sinto muito por ter desapontado vocês. Não tenho coragem de aparecer mais em público”, disse um Roh emocionado em 30 de abril, antes de dar o depoimento aos promotores.

Ao ler estas notícias sobre a política internacional, eu, como brasileiro, sinto um alívio e uma angústia. Meu alívio se justifica pela retirada de um enorme peso das costas ao comprovar que corrupção não é um “privilégio” brasileiro. Não que eu me sinta menos envergonhado, afinal, um erro nunca justificou o outro. Mas deteriora-se, assim, o resquício de “darwinismo social” que faz com que as pessoas acreditem na inferioridade latino-americana.

No entanto, minha angústia fica por conta da enorme diferença em relação às condutas adotadas pelos políticos nos diferentes países em discussão. Na Inglaterra os envolvidos sentem-se envergonhados e entregam seus cargos. Na Coreia o ex-presidente “entrega” sua vida por não suportar a dor e sofrimento que teria causado aos seus conterrâneos. Infelizmente, no Brasil eles se lixam para a opinião pública, não devolvem o que roubam, dão desculpas absurdas e se candidatam novamente. E o pior, se reelegem!!!

Renato Pellizzari

EUA a caminho de Kioto!!!!

21 de maio de 2009

Nessa última terça feira todos nós (no mundo) recebemos uma notícia muito promissora. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta terça-feira um plano de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa que deverá estabelecer pela primeira vez um padrão de limites de poluição para veículos no país.

As novas regras, que passarão a valer a partir de 2012, preveem corte de 30% nas emissões de automóveis e caminhões leves até 2016. Os veículos também deverão apresentar um padrão de eficiência de 15 km por litro de combustível.

De acordo com a Casa Branca,  novo plano deverá representar uma economia de 1,8 bilhão de barris de petróleo até 2016 e será o equivalente a tirar 177 milhões de carros das ruas. Obama falou sobre o acordo histórico, em declaração na Casa Branca, na presença dos dirigentes dos grandes construtores automobilísticos presentes nos EUA, de defensores do meio ambiente e de dirigentes políticos.

Barack Obama

“Pela primeira vez na história, adotamos uma política visando tanto a melhorar o consumo por litro quanto a reduzir as emissões de gás causadores do efeito estufa dos carros particulares e das pick-ups vendidas nos EUA”, disse Obama.

Na verdade, o presidente deveria perceber (é provável que saiba) que “pela primeira vez na história” os norte americanos estão vendo um presidente com força política, carisma e, principalmente, coragem para realizar mudanças que, na nossa concepção, pareciam óbvias. Quem sabe, a assinatura do protocolo de Kioto por parte dos EUA não seja um sonho tão distante! O primeiro passo foi dado!

Renato Pellizzari

Contra a homofobia (parte 2)

20 de maio de 2009

Parece que o assunto está, realmente, merecendo uma atenção especial. No último dia 8 estreou nos EUA um documentário que revela quem são os políticos gays que escondem sua orientação sexual e, do armário, comandam campanhas conservadoras contra gays e lésbicas nos Estados Unidos, votando contra os seus.

“Outrage” mostra, nas palavras do diretor Kirby Dick, “personagens shakesperianos”, gente que, em troca de uma carreira política e do poder, é capaz de viver vidas duplas, trair suas esposas, satisfazer instintos em encontros fortuitos em banheiros públicos ou bares gays no meio do nada. E este é o trunfo e o espetáculo do documentário, muito apropriadamente chamado, pelo jornal “The Washington Post” de “pesadelo de relações públicas para os políticos americanos no armário”.

kirby Dick

- As pessoas chegam ao cinema pensando: mas afinal, o que temos a ver com o que os políticos fazem na cama? E saem do cinema impressionadas com a hipocrisia de políticos gays que fazem o maior esforço para impedir a aprovação de direitos civis de gays e lésbicas, enquanto fazem sexo anônimo nos banheiros. É gente que, por medo de se assumir e com a autoestima em baixa, transforma a vida dos homossexuais dos EUA num inferno. Isso é inaceitável e indigno, por isso decidi chamar o filme assim (”Outrage” significa ultraje) - contou Kirby Dick.

Prisão de gays em Moscou

Já na Rússia, no dia 16, as forças de segurança detiveram mais de 80 pessoas que tinham previsão de realizar uma parada gay não autorizada em Moscou. Peter Tatchell, um conhecido ativista britânico defensor dos direitos humanos e dos homossexuais, estava entre os detidos.

Podemos perceber que a homofobia não é uma realidade apenas americana, mas mundial. Espero que as denúncias e manifestações, atreladas a um amplo processo de conscientização, possam conduzir a humanidade a uma nova realidade, onde as pessoas sejam verdadeiramente respeitadas.

Renato Pellizzari

Os fantasmas da ditadura (parte 2)

17 de maio de 2009

Em setembro do ano passado os ministros Tarso Genro (Justiça) e Paulo de Tarso Vanucchi (Direitos Humanos) defenderam a abertura dos arquivos da ditadura militar. Na última quarta-feira (13), dia em que o governo lançou o portal “Memórias Reveladas - Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil (1964-1985)”, Lula enviou ao Legislativo um projeto de lei que estabelece regras para a divulgação de documentos reservados ou secretos e informações sobre programas e a gestão do Executivo, o que incluiria os arquivos da ditadura.

Como era de se imaginar, os debates sobre o assunto estão acalorados. O próprio presidente procurou dar algumas explicações. Lula disse que a decisão do governo federal de tornar públicas informações relacionadas ao período da ditadura militar (1964-1985) não representa um “revanchismo” de ex-militantes contrários ao regime. “Que ninguém veja isso como se fosse revanchismo. Daqui a um ano, deixarei o governo. Tudo o que fizer de errado, quem vier atrás de mim tem mais é que dizer o que fiz de errado. E não posso achar que a pessoa está me perseguindo. Eu que pague o preço das mazelas, mas não achar que, atrás de mim, estou sendo perseguido”.

No entanto, a grande pergunta é, na minha opinião, quais são os documentos que serão disponibilizados??? Existem arquivos secretos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica que não fazem parte do acervo transferido da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para o Arquivo Nacional, no final do ano passado. A afirmação é de Diva Santana, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais na Bahia e atual representante dos familiares na Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos Políticos.

Muitos documentos, segundo os militares, foram queimados durante o processo de abertura, na década de 80O problema é o precedente que esse argumento cria para assuntos traumáticos e polêmicos atuais. O fato dessa abertura não estar gerando uma grande crise militar me permite imaginar que seja fruto de um grande acordo entre militares e governo. Quantos arquivos não serão ou estão sendo quimados hoje, como se o tivessem sido em 1985??? 

De qualquer forma, acredito ser um importante passo para a nossa história. Precisamos sim enfrentar nossos fantasmas. Doa em quem doer. Mesmo vigorando a lei de anistia, daremos à sociedade o direito de se pronunciar, agir ou, no mínimo, repensar essa página infeliz da nossa história.

Renato Pellizzari

OS FANTASMAS DA DITADURA MILITAR!!!

16 de maio de 2009

Ao ler algumas reportagens esta semana, senti a necessidade de compartilhar alguns pensamentos. Vamos começar lendo, na íntegra, a reportagem da revista Carta Capital de fevereiro desse ano para que todos possam pegar o “fio da meada”. É uma resposta de Maria Victória Benevides à Folha de São Paulo. Vale à pena conferir!!!

‘Ditabranda’ para quem?

Quase ninguém lê editorial de jornais, mas quase todos leem a seção de cartas. E foi assim que tudo começou. Os fatos: a Folha de S.Paulo, em editorial de 17/2, aplica a expressão “ditabranda” ao regime militar que prendeu, torturou, estuprou e assassinou. O primeiro leitor que escreve protestando recebe uma resposta pífia; a partir daí, multiplicam-se as cartas: as dos indignados e as dos que ainda defendem a ditadura. Normal.

Mas eis que chegam a carta do professor Fábio Konder Comparato e a minha: “Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de ‘ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar ‘importâncias’ e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi ‘doce’ se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala – que horror!” (esta escriba).

“O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17/2, bem como o diretor que o aprovou, deveria ser condenado a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana” (Prof. Fábio).

Maria Victoria Benevides

As cartas são publicadas acompanhadas da seguinte Nota da Redação – “A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua ‘indignação’ é obviamente ‘cínica e mentirosa’.”

Pronto. Como disseram vários comentaristas, a Folha mostrou a sua cara e acabou dando um tiro no pé. Choveram cartas para o ombudsman do jornal – que se limitou a escrever, quase clandestino, que a resposta pecara por falta de “cordialidade”. Um manifesto de repúdio ao jornal e de solidariedade, organizado pelo professor Caio Navarro de Toledo, da Unicamp – com a primeira adesão de Antonio Candido, Margarida Genevois e Goffredo da Silva Telles – passa imediatamente a circular na internet e, apesar do carnaval, conta com mais de 3 mil assinaturas. Neste, depoimentos veementes de acadêmicos, jornalistas (inclusive nota do sindicato paulista), artistas, estudantes, professores do ensino fundamental e médio, além de blogs. Vítimas da repressão escrevem relatos de suas experiências e até enviam fotos terríveis. A maioria lembra, também, o papel da empresa Folha da Manhã na colaboração com a famigerada Oban. 

O que explica essa inacreditável estupidez da Folha?

A meu ver, três pontos devem ser levantados: 1. A combativa atuação do advogado Comparato para impedir que os torturadores permaneçam “anistiados” (atenção: o caso será julgado em breve no STF!). 2. O insidioso revisionismo histórico, com certos acadêmicos, políticos e jornalistas, a quem não interessa a campanha pelo “Direito à Memória e à Verdade”. 3. A possível derrota eleitoral do esquema PSDB-DEM, em 2010. (Um quarto ponto fica para “divã de analista”: os termos da nota – não assinada – revelam raiva e rancor, extrapolando a mais elementar ética jornalística.)

Dessa experiência, para mim inédita, ficou uma reflexão dolorosa, provocada pela jornalista Elaine Tavares, do blog cearense Bodega Cultural, que reclama: “Sempre me causou espécie ver a intelectualidade de esquerda render-se ao feitiço da Folha, que insistia em dizer que era o ‘mais democrático’ ou que ‘pelo menos abria um espaço para a diferença’. Ora, o jornal dos Frias pode ser comparado à velha historinha do lobo que estudou na França e voltou querendo ser amigo das ovelhas. Tanto insistiu que elas foram visitá-lo. Então, já dentro da casa do lobo ele as comeu. Uma delas, moribunda, lamentou: ‘Mas você disse que tinha mudado’… E ele, sincero: ‘Eu mudei, mas não há como mudar os hábitos alimentares’. E assim é com a Folha (…). São os hábitos alimentares”.

O que fazer? Muito. Há a imprensa independente, como esta CartaCapital. Há a internet. Há todo um movimento pela democratização da informação e da comunicação. Há a luta – que sabemos constante – pela justiça, pela verdade, pela república, pela democracia. Onde quer que estejamos.
 

 

(Maria Victoria Benevides é socióloga com especialização em Ciências Políticas e professora titular da Faculdade de Educação da USP )

Amanhã, faço a relação com as últimas notícias do nosso país, somando, claro, alguns comentários pessoais!!!

Até amanhã.

Renato Pellizzari

Contra a homofobia!!!

13 de maio de 2009

 EUA iniciam discussão sobre gays no serviço militar

O governo Obama está organizando “discussões preliminares” sobre a proibição de membros abertamente homossexuais no serviço militar, disse neste domingo o assessor nacional de segurança da Casa Branca James Jones.

O presidente norte-americano, Barack Obama, prometeu durante a campanha que mudaria essa regra, mas a questão tem recebido menos atenção hoje em meio ao trabalho do governo em temas como a economia e as guerras no Iraque e no Afeganistão.

Jones disse não saber se essa política, conhecida como “não pergunte, não conte”, será abandonada, e indicou uma abordagem cautelosa.

“Temos muitas coisas na nossa mesa agora. Isso tem que ser tratado no momento certo… para que seja feito da maneira correta”, disse Jones no programa “This Week”, da rede de televisão ABC.

Questionado se essa política será revogada, Jones disse: “Não sei… O presidente tem dito que é a favor (de revogar). Vamos apenas esperar. Vamos ter que esperar e ver.”

As atuais regras não permitem que o Exército pergunte a orientação sexual dos militares, mas abrem a porta para que as pessoas que admitem ser homossexuais sejam expulsas. Essa política foi aprovada pelo Congresso em 1993.

“Tivemos discussões preliminares com a liderança do Pentágono, com o secretário (de Defesa Robert) Gates, e com o chefe do Estado-maior (almirante Mike Mullen)”, disse Jones.

“Isso será discutido da maneira como o presidente faz as coisas, ou seja: bem deliberativa, bem refletida, buscando todos os lados da questão”, acrescentou Jones, general aposentado que já foi comandante dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos.

Uma oficial do Exército assumidamente homossexual divulgou neste mês a resposta de Obama a uma carta enviada por ela para condenar a atual política. Obama escreveu: é por causa de norte-americanos fora de série como você que eu me comprometi em mudar a atual política. Ainda que leve algum tempo para isso terminar (em parte porque precisa de atuação do Congresso), eu pretendo cumprir meu compromisso”!” (Will Dunham, REUTERS)

Lí essa reportagem ontem e gostei. Me deu esperanças. Logo depois lembrei que no Brasil, em junho do ano passado, explodiu na mídia uma grande polêmica a respeito de dois militares do exército que se declararam gays e estariam sofrendo perseguições dentro das forças armadas. É possível, uma vez que o Código Penal Militar brasileiro é de 1969, e não incorpora as mudanças de comportamento da sociedade desde então.

parada do orgulho GLBT em São Paulo

Na verdade, acredito que a mentalidade dos brasileiros, de uma forma geral, não incorpora as mudanças de comportamento da sociedade. É inacreditável o grande preconceito que os homossexuais sofrem ainda hoje. Os tabús da sociedade atravessam séculos.

Mesmo dentro de um discurso de liberdade, as pessoas conseguem criar brechas para justificar seu preconceito. Até beijos entre gays é censurado em novelas por parecer imoral. Como se a nossa programação televisiva estivesse verdadeiramente preocupada com isso!!! Vide o Big Brother!!! Ah, desculpe, eu esqueci, sendo heterossexuais pode!!!   

pesquisa-sobre-homofobia

 

Independente das escolhas pessoais de cada um, o respeito deve prevalecer. Esse é o verdadeiro sentido da liberdade. Sou a favor da criminalização da homofobia, já que vivemos em um país onde as leis geram os costumes. O movimento vem crescendo e, aproximadamente 70% da população já apóia. O ideal é que fosse pelo bom senso, mas alguma coisa tem que ser feita. Parece que ainda estamos na idade média!!!

Renato Pellizzari