Devido alguns problemas na internet (inclusive, aproveito para dizer que o serviço de internet móvel da Claro é péssimo!!!) não consegui postar nos últimos dias. Estava eufórico para comentar nosso aulão de véspera da UERJ e como os professores elogiaram a participação dos alunos!!!
No entanto, prefiro parabenizar rapidamente nossos alunos que alcançaram seus objetivos, tranquilizar aos que ainda farão o 2º exame de qualificação e escrever a respeito da grande dificuldade de se encontrar, dentro do processo educacional, uma cooperação efetiva entre alunos, pais e professores. Recebi a charge abaixo e coloquei-me a pensar no assunto.

Acredito que um dos fatores do problema seja a diferença entre o que os pais esperam que a escola faça no processo de formação de seus filhos e o verdadeiro papel das instituições nesse processo. A constante falta de tempo dos pais dentro de casa acaba gerando um processo de “terceirização” da educação dos filhos que acreditam ser verdadeiros “clientes” dentro dos seus colégios.
Contudo, os educadores devem ter muito cuidado ao lidar com os excessos dos alunos, uma vez que uma rigorosa legislação inibe qualquer tipo de abuso aos direitos das crianças e adolescentes. Isto é ótimo, o problema é que os jovens estão plenamente cientes de seus direitos, mas muito distante de seus deveres como cidadãos.
A participação, a disciplina, o respeito, viraram virtudes em um país onde a corrupção, a impunidade e a ignorância são regras (inclusive diariamente exposta nos jornais!!!). A dificuldade dos pais em transmitir valores e hábitos saudáveis aos filhos gera um impacto negativíssimo dentro das escolas. A superproteção e o excesso de facilidades também são inimigos de uma boa educação. Há, na verdade, uma grande crise de autoridade ou, ainda, uma crise de liderança. “Estar no poder é como ser uma dama. Se tiver que lembrar às pessoas que você é, você não é.” (Margaret Thatcher)
Criar o problema é muito mais fácil que solucioná-lo. A revista Época de 13 de abril deste ano trouxe duas reportagens muito interessantes: “O que fazer com crianças que não respeitam ninguém” e ”Por que amor demais também estraga”. Em ambas as reportagens a participação dos pais aparece como fundamental para diagnosticar os problemas.
Precisamos, urgentemente, intensificar os debates dentro das escolas. Definir os papéis no processo de formação de nossas crianças. Conscientizá-los não só de suas próprias vidas, mas também do mundo que os cerca. O futuro da nossa sociedade depende da educação que estamos oferecendo.
Renato Pellizzari