Arquivo de junho, 2009

Grandes eventos na unidade tijuca!!!

26 de junho de 2009

No próximo dia 04 de julho teremos duas grandes atividades na unidade tijuca. Na parte da manhã teremos a tradicional Feira de Profissões, onde os alunos poderão assistir a diversas palestrar sobre as principais profissões. Tal atividade ajudará nossos jovens estudantes na difícil escolha acadêmica. Além da exposição dos profissionais convidados, todas as palestras serão seguidas de um grande bate-papo para que todas as dúvidas sejam esclarecidas.

feira de profissões

O evento ocorrerá das 8 às 13:30hs. Não é preciso se inscrever, basta ficar atento à programação que está disponibilizada no site do colégio. A unidade tijuca situa-se na rua Ibituruna, 37.

Logo após a feira de profissões, na parte da tarde, haverá uma grande aula-palestra sobre o HOLOCAUSTO ocorrido durante a segunda guerra mundial.

No primeiro momento eu, Renato Pellizzari, farei uma pequena apresentação sobre o evento histórico. Então, meu grande amigo Aleksander Laks, sobrevivente do maior campo de concentração nazista da história (Auschwitz) fará um emocionante relato da triste experiência vivida na década de 1940.

Livro do Sr. Laks

O evento ocorrerá das 14 as 18hs e as inscrições devem ser feitas nas secretarias a partir de terça-feira, 30/06, mediante a doação de 1 (uma) de leite em pó ou 2 (dois) quilos de alimento não perecível (não pode ser sal). As vagas são limitadíssimas!!! 

Renato Pellizzari

O futuro da nossa educação!!!

23 de junho de 2009

Devido alguns problemas na internet (inclusive, aproveito para dizer que o serviço de internet móvel da Claro é péssimo!!!) não consegui postar nos últimos dias. Estava eufórico para comentar nosso aulão de véspera da UERJ e como os professores elogiaram a participação dos alunos!!!

No entanto, prefiro parabenizar rapidamente nossos alunos que alcançaram seus objetivos, tranquilizar aos que ainda farão o 2º exame de qualificação e escrever a respeito da grande dificuldade de se encontrar, dentro do processo educacional, uma cooperação efetiva entre alunos, pais e professores. Recebi a charge abaixo e coloquei-me a pensar no assunto.

charge

Acredito que um dos fatores do problema seja a diferença entre o que os pais esperam que a escola faça no processo de formação de seus filhos e o verdadeiro papel das instituições nesse processo. A constante falta de tempo dos pais dentro de casa acaba gerando um processo de “terceirização” da educação dos filhos que acreditam ser verdadeiros “clientes” dentro dos seus colégios.

Contudo, os educadores devem ter muito cuidado ao lidar com os excessos dos alunos, uma vez que uma rigorosa legislação inibe qualquer tipo de abuso aos direitos das crianças e adolescentes. Isto é ótimo, o problema é que os jovens estão plenamente cientes de seus direitos, mas muito distante de seus deveres como cidadãos.

A participação, a disciplina, o respeito, viraram virtudes em um país onde a corrupção, a impunidade e a ignorância são regras (inclusive diariamente exposta nos jornais!!!). A dificuldade dos pais em transmitir valores e hábitos saudáveis aos filhos gera um impacto negativíssimo dentro das escolas. A superproteção e o excesso de facilidades também são inimigos de uma boa educação. Há, na verdade, uma grande crise de autoridade ou, ainda, uma crise de liderança. “Estar no poder é como ser uma dama. Se tiver que lembrar às pessoas que você é, você não é.” (Margaret Thatcher)

Criar o problema é muito mais fácil que solucioná-lo. A revista Época de 13 de abril deste ano trouxe duas reportagens muito interessantes: “O que fazer com crianças que não respeitam ninguém” e ”Por que amor demais também estraga”. Em ambas as reportagens a participação dos pais aparece como fundamental para diagnosticar os problemas.

Precisamos, urgentemente, intensificar os debates dentro das escolas. Definir os papéis no processo de formação de nossas crianças. Conscientizá-los não só de suas próprias vidas, mas também do mundo que os cerca. O futuro da nossa sociedade depende da educação que estamos oferecendo.

Renato Pellizzari

Dicas para UERJ (parte 2)!!!

20 de junho de 2009

Como combinado, hoje vamos postar algumas dicar sobre como proceder antes e durante a primeira prova de vestibular do ano. Lembremos que o corpo precisa estar devidamente preparado para o evento, assim como sua mente!!!

A primeira preocupação deve ser em relação a alimentação. Comidas muito gordurosas podem gerar problemas estomacais no dia seguinte pela manhã. Mesmo que você não seja dessas pessoas mais sensíveis, não vale a pena arriscar. Pela manhã (o ideal é acordar bem cedo) coma, preferencialmente, frutas. Iogurtes e achocolatados devem ser evitados.

Na noite anterior, não é interessante “tomar um chopinho” para relaxar. O organismo não consegue absorver completamente o álcool e os resultados na hora da prova são lentidão de raciocínio e sonolência. O ideal seria a prática de um esporte para cansar o corpo e, assim, conseguir adormecer cedo com maior facilidade, vencendo o nervosismo e a ansiedade.

Saia com bastante antecedência de casa (a prova começa às 9hs). Seria cômico, se não fosse trágico, os verdadeiros “espetáculos” protagonizados todos os anos pelos candidatos que chegam no momento em que os portões estão se fechando. Parece cena de filme…drama, é claro!!!

Entre cedo na sala de prova e procure um bom lugar para se sentar (sem sol, boa carteira, arejado,etc.). Confira se seu celular está desligado, caso ele toque durante a prova (comum durante as aulas ao longo do ano!!!) você pode ser desclassificado!!!

Comece sua prova assim que for autorizado. Afinal, você só terá 4 (quatro) horas para fazer as 60 questões e preencher o cartão-resposta. Reserve, no mínimo, 30 minutos para o cartão. Assim, você terá, aproximadamente, 3,5 minutos por questão. É claro que tudo isso é relativo. É normal demorar um pouco mais no início da prova. As questões de português podem levar mais tempo devido a interpretação. O importante é MANTER UM MINUCIOSO CONTROLE DO TEMPO. 

Eu sei que grande parte das informações parecem desnecessárias. No entanto, em um dia tão importante o nervosismo pode tornar tudo mais complicado. Por isso, procure ficar o mais calmo possível. Afinal, essa é a única prova que oferece uma segunda chance no mesmo ano… o segundo exame de qualificação!!!

Uma excelente prova para todos!!! Nós acreditamos em vocês!!!

Renato Pellizzari

DICAS PARA UERJ!!!

19 de junho de 2009

Quando as provas vão se aproximando é sempre o mesmo desespero. Os alunos não param de perguntar as matérias que vão cair nesse ou naquele vestibular. Em nenhum outro momento do ano percebemos tanto empenho por parte deles!!!

Mesmo sabendo que os professores não possuem “bola de cristal”, conversei com alguns para buscar algumas dicas que pudessem orientar nossos alunos. Então hoje estou postando as dicas dos assuntos que mais apareceram nas últimas provas dentro de cada disciplina. Amanhã teremos dicas sobre a prova em si e alguns cuidados que os vestibulandos devem ter durante a realização da mesma.

O professor de geografia Fábio Tadeu acredita na necessidade dos alunos estarem atentos às últimas notícias sobre a crise global, seus desdobramentos e as medidas adotadas pelos governos para solucioná-la. A crise do liberalismo pode, inclusive, ser utilizada em questões interdisciplinares com a história. Além disso, destacou também a possibilidade de aparecem aspectos do estado e do município do Rio de Janeiro.

Em relação a história, o professor Leonardo Arruda lembrou que nos últimos anos a prova tem sido majoritariamente de geografia. Mesmo assim, sugeriu que os alunos dessem uma rápida estudada em três assuntos que ainda não foram trabalhados nas aulas regulares: Era Vargas(1930/45) e ditadura militar (1964/85) no caso de Brasil e guerra fria (história geral) com possíveis referências interdisciplinares à geopolítica atual.

Falando sobre a interpretativa prova de Língua Portuguesa o professor Paulo Sérgio foi direto: - Pode colocar para os alunos estudarem “valor semântico das conjunções” e “sofisma”.

Em biologia o professor Leandro Azeredo sugeriu que os alunos estudassem “metabolismo energético”, “ácidos nucléicos” e ecologia. Além disso, pediu para que os alunos tivessem muito cuidado nas interpretações gráficas.

Estequiometria, deslocamento de equilíbrio químico, tabela periódica e propriedades das ligações químicas foram os assuntos listados pela nossa querida professora Olinda (Química).

Já para a prova de física, o professor Nelson lembrou alguns assuntos que aparecem todos os anos: leis de Newton, energia mecânica e eletrodinâmica.

Nosso diretor e professor de matemática Ricardo Camelier também deu a sua contribuição. Progressão aritimética (PA), progressão geométrica (PG), áreas e volumes, análise combinatória e probabilidade são assuntos que, segundo ele, aparecem bastante.

Em nome dos alunos eu gostaria de agradecer a todos os professores que, de forma muito solícita, nos passaram essas preciosas informações nesse momento tão importante. OBRIGADO!!!

Renato Pellizzari

Inscrições para o Enem!!!

17 de junho de 2009

As  inscrições para o novo Enem estão abertas desde o dia 15 deste mês. A UFF (Universidade Federal Fluminense) e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), por meio de suas coordenadorias de vestibular, lembram a todos os estudantes que pretendem disputar vaga no Vestibular 2010 das respectivas instituições a obrigatoriedade da inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio.

Todas as inscrições para o Enem 2009/2010 serão realizadas exclusivamente pela internet, até as 23h59 do dia 17 de julho, no endereço enem.inep.gov.br.

As novas regras do concurso Vestibular UFF 2010, aprovadas nos conselhos Universitário e de Ensino e Pesquisa da universidade, serão divulgadas brevemente em edital. O resultado do Enem comporá 50% da 1ª etapa do concurso da UFF.

Já a UFRJ utilizará a soma das notas nas quatro provas objetivas do Enem, em ordem decrescente, para convocar candidatos, em até quatro vezes o número total de vagas para cada opção (curso /habilitação) oferecida no Edital Complementar, para realizar a segunda etapa.

Para concorrer às vagas oferecidas pela UFRJ o candidato deverá, obrigatoriamente, efetuar sua inscrição no Vestibular 2010, em conformidade com as normas estabelecidas em Edital Complementar, que será publicado no dia 1º de setembro, informando o número de inscrição no Enem.

Fiquem atentos, a perda de inscrição do Enem significará a perda das demais instituições que aderiram, mesmo parcialmente, ao novo exame.

Renato Pellizzari

João Cabral de Melo Neto: uma poesia água com açúcar (Parte 5)

15 de junho de 2009

Falo somente para quem falo:

quem padece sono de morto

e precisa de um despertador

acre, como o sol sobre o olho:

 

que é quando o sol é estridente,

a contra-pêlo, imperioso,

e bate nas pálpebras como

se bate numa porta a socos.

 

 

         A última parte do poema é um recado para todos nós, que dormimos um sono de morto e que não abrimos os olhos a essas tragédias que se repetem a cada dia em todas as partes do mundo. Somos capazes de acordarmos e dormirmos como se nada tivéssemos a ver com a miséria alheia. Quando, na verdade, fazemos parte disso sim, porque somos as mentes pensantes que podem criar alternativas e soluções. Afinal, não é o que deveríamos fazer nas universidades: olhar o mundo, entender o mundo, mudar o mundo? Tudo bem, não fomos nós que produzimos toda essa miséria. Certamente, não poderão nos acusar disso. Mas, se felizmente não entramos para a história como os causadores do problema, por que sairmos dela como aqueles que não o solucionaram?

 

Pois é, certamente Garapa é um despertador amargo como o sol sobre o olho. E depois dele, acho que vou pensar duas vezes antes de dizer que um filme de “Sessão da Tarde” é simplesmente água com açúcar.

 

Márcio Hilário

(06/06/09)

João Cabral de Melo Neto: uma poesia água com açúcar (Parte 4)

14 de junho de 2009

Falo somente por quem falo:

por quem existe nesses climas

condicionados pelo sol,

pelo gavião e outras rapinas:

 

e onde estão os solos inertes

de tantas condições caatinga

em que só cabe cultivar

o que é sinônimo de míngua.

 

*  *  *

 

         Quem é esse que consegue sobreviver até mesmo quando tudo ao seu redor prova que a vida é impossível? O sertanejo é antes de tudo um bravo, já dizia Euclides da Cunha, mas João Cabral, diante de tanta míngua afirma que difícil é saber / (…) onde começa o homem / naquele homem. / Difícil é saber / se aquele homem / já não está / mais aquém do homem; / mais aquém do homem / ao menos capaz de roer / os ossos do ofício; / capaz de sangrar / na praça; / capaz de gritar / se a moenda lhe mastigar o braço. Infelizmente, existem pessoas que sofrem tanto que já nem mesmo lembram que são pessoas.

        

           Os personagens do poeta e as pessoas do documentarista se confundem numa mesma “vida severina”: os últimos versos aqui citados também foram do poema O cão sem plumas. Título estranho, já que um cão tem pelos e não plumas, mas no próprio poema isso se explica: Ser um cão sem plumas É quando a alguma coisa / roem tão fundo / até o que não tem. É o que ocorre em Garapa, quando, por exemplo, além de toda aquela miséria, vemos as moscas varejeiras disputarem as feridas abertas na pele de uma criança sem plumas, ou ainda as mulheres sem plumas serem exploradas pela lógica de uma sociedade patriarcal, na qual o homem não tem de se responsabilizar pelo cuidado das coisas da casa.

Márcio Hilário (continua)

João Cabral de Melo Neto: uma poesia água com açúcar (Parte 3)

13 de junho de 2009

Falo somente do que falo:

do seco e das suas paisagens,

Nordestes, debaixo de um sol

ali do mais quente vinagre:

 

que reduz ao espinhaço,

cresta o simplesmente folhagem,

folha prolixa, folharada,

onde possa esconder-se a fraude.

 

*  *  *

 

         Aqui o poeta faz uma apresentação do espaço, ou seja, do sertão. Existem imagens que são facilmente recuperáveis pela nossa mente quando estamos diante de palavras conhecidas. No entanto, elas podem não condizer com aquilo que realmente o poeta deseja representar. Nesse sentido, Cabral opta por metáforas concretas (palavras que conceito pela coisa): por exemplo, no poema O cão sem plumas, ele diz que a água do rio ao qual se refere (de lama e esgoto) em nada se parece com a água do copo de água. Por isso ele pergunta: Por que então seus olhos / vinham pintados de azul / nos mapas? Observemos, então, que, nesse cenário, não cabem folhagem, folharada ou folha prolixa (bonita e vistosa), mas cabem as árvores secas.

        

         E o que vemos no documentário? Longas tomadas em que as mulheres caminham, caminham, caminham e caminham por paisagens secas e cheias de não-vida. Aliás, a passagem de tempo está representada no filme também pela imagem do pássaro morto na árvore, que vai aparecendo cada vez mais seco.

Márcio Hilário (continua)

João Cabral de Melo Neto: uma poesia água com açúcar (Parte 2)

12 de junho de 2009

Resolvi, então, aceitar ao desafio de contribuir para o blog do meu amigo-irmão (espero mesmo é não atrapalhar!) interpretando um dos meus poemas preferidos de João Cabral para estabelecer um diálogo com o filme Garapa.

 

 

“Graciliano Ramos”, ao mesmo tempo em que homenageia a obra desse grande escritor, que também trabalhava a temática do sertão, faz uma auto-apresentação do projeto estético cabralino de composição. Para fins didáticos, apresentarei o poema parte a parte, entremeando-o de comentários. Lá vai:

 

GRACILIANO RAMOS

 

Falo somente com o que falo:

com as mesmas vinte palavras

girando ao redor do sol

que as limpa do que não é faca:

 

de toda uma crosta viscosa,

resto de janta abaianada,

que fica na lâmina e cega

seu rosto da cicatriz clara.

 

*  *  *

 

         Para João Cabral, a dureza de uma “vida severina” não pode ser representada por uma linguagem rebuscada e doce, como no falso sentido que o meu título sugeria antes. Uma condição tão sub-humana jamais deve ser ocultada pelo ritmo de uma entonação melódica de um verso cheio de lirismo.

 

        

      Para falar sobre o seco, é preciso ter também uma linguagem seca. Por isso, ele afirma trabalhar apenas com vinte palavras apenas. A imagem do sol retrata o elemento mais presente na vida de um sertanejo: o castigo do astro-rei, intensificado mais ainda pela ausência de chuva.

 

        

        Com relação à faca (uma dessas vinte palavras de sua poesia), ela é um símbolo da dor, do corte, do que provoca a ferida na pele e na alma do homem do sertão. Uma faca é algo que corta e certamente não passaríamos a língua na sua lâmina. Mas, curiosamente, se essa mesma faca estivesse suja pela deliciosa cobertura de um bolo, poderíamos cometer tal imprudência.

 

        

      É como Cabral vê a questão da linguagem: os floreios de uma palavra bela e sonora são como a cobertura do bolo, que esconde o que é a vida de faca do sertanejo. Vale lembrar que o título de um dos seus poemas é “Uma faca só lâmina” (veja que aqui não está nem o cabo para proteger a mão do corte!).

        

       O paralelo que podemos fazer com Garapa observa-se também no nível da linguagem: José Padilha, assim como já o fizera o fotógrafo Sebastião Salgado, optou pelas imagens em preto-e-branco. Certamente, aquelas imagens eram cruéis demais para merecerem algum colorido.

 

 

Márcio Hilário (continua)

Obs.: FELIZ DIA DOS NAMORADOS!!!

Um problema maravilhoso!!!

11 de junho de 2009

Como coloquei em um post anterior, convidei meu grande amigo Márcio Hilário a escrever sempre que quizesse no nosso blog. Fiquei muito feliz ao perceber que ele tinha se sentido, de certa forma, lisonjeado com o convite. O resultado após nossa clássica sessão de cinema de terças feiras foi um texto imenso sobre o “incômodo” (e fantástico) filme de José Padilha: Garapa.

E porque eu chamo o texto de um maravilhoso problema??? Por causa do tamanho!!! Eu esqueci de comentar com o nosso autor que o blog é “feito” de pequenas e rápidas informações. Quando comecei a ler o trabalho, ao mesmo tempo que segurava as lágrimas pela beleza dos sentimentos expressados em palavras, pensava: como vou passar essa preciosidade adiante??? 

Conversei com meus alunos leitores do terceiro ano do leblon e, juntos, tivemos uma ideia. Vou fazer uma sequência de posts, fragmentando o texto. Assim, poderemos desfrutar da obra por completo. Então, de hoje até segunda feira, teremos 5 posts. Aproveitem…

João Cabral de Melo Neto: uma poesia água com açúcar

 

Na última terça-feira, dia 02/06, aceitei ao convite do meu grande amigo-irmão Renato Pellizzari para retomarmos a nossa rotina semanal de cinéfilos. A sugestão do filme dessa vez partiu dele mesmo: Garapa, de José Padilha – diretor conhecido do grande público graças ao polêmico Tropa de Elite e pelo excelente documentário Ônibus 174.

 

 

Como somos movidos a debates e reflexões, após o filme, o que era bate-papo, veio a mim como um convite e tocou em mim como um desafio. Eis o motivo deste pequeno texto que aqui se vai tecendo.

 

 

O título tenta provocar e minimamente induzir o leitor ao erro: não, a poesia de João Cabral de Melo Neto não é ridiculamente fácil de entender; não, a linguagem não é melosamente carregada de uma doçura lírica à moda romântica; mas, sim, a poesia cabralina é sim água com açúcar. Pelo menos, tornou-se isso pra mim, depois que assisti ao filme de Padilha.

 

 

Garapa é o nome que se dá à mistura de água barrenta (tirada dos açudes em que os homens se confundem com os bichos, como no poema de Manuel Bandeira) com umas colheradas de açúcar. Esse é o único alimento que as mães do nosso sertão nordestino têm para dar a seus filhos, que muitas o tomam na mamadeira como se fosse leite. Soco no estômago!

 

 

É por isso que Cabral pra mim virou água com açúcar. Não porque minha visão sobre o poeta mudou, mas é que descobri um novo sinônimo pra Fome. Saí da sessão humilhado, envergonhado da minha cegueira, e, relembrando as cenas, percebi que aquelas pessoas-personagens já estiveram em Morte e vida severina, dizendo:

 

Somos muitos Severinos  
iguais em tudo na vida:   
na mesma cabeça grande   
que a custo é que se equilibra,   
no mesmo ventre crescido   
sobre as mesmas pernas finas   
e iguais também porque o sangue   
que usamos tem pouca tinta.   

 

E se somos Severinos   
iguais em tudo na vida,   
morremos de morte igual,   
mesma morte severina:   
que é a morte de que se morre   
de velhice antes dos trinta,   
de emboscada antes dos vinte   
de fome um pouco por dia   
(de fraqueza e de doença   
é que a morte severina   
ataca em qualquer idade,   
e até gente não nascida). 

Márcio Hilário (continua)