Arquivo de 30 de maio de 2009

Aluno que acerta menos questões pode ter mais pontos no novo Enem!!!

30 de maio de 2009

Esqueça as comparações clichê do vestibular com maratonas ou corridas de obstáculos. O novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está mais para prova de salto em altura. Remodelado este ano para ser o grande vestibular nacional, ele tem como espinha dorsal a sigla TRI (Teoria da Resposta ao Item), conjunto de modelos matemáticos já usado em exames internacionais como o Pisa. Um efeito prático da TRI é que um candidato pode ter pontuação mais alta acertando menos questões que outro.

A explicação disso passa pela comparação com o salto. “Pus o sarrafo dez vezes. Um cara passou por ele dez vezes, o outro em oito. Quem é o melhor? Depende da altura do sarrafo”, explica Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação responsável pelo Enem. Em qualquer exame, há questões mais complicadas do que outras. A diferença com a TRI é que os itens mais difíceis valem mais pontos que os demais. “Todas as questões são pré-testadas para a gente calibrar esse grau de dificuldade”, diz Fernandes.

Reynaldo Fernandes

Um desses pré-testes será feito em junho, com estudantes de ensino médio de 48 escolas. O Inep vai cruzar a performance desses alunos para avaliar o grau de dificuldade de um conjunto de questões. Depois de selecionar os itens que mais bem avaliam desempenhos, descartando os que têm enunciado ruim, por exemplo, os técnicos montam uma régua para determinar o peso de cada uma das questões.

Os candidatos não saberão, na prova, qual questão valerá mais pontos. O Inep vai agrupá-las em três conjuntos - fáceis, médias e difíceis -, distribuídos numa escala crescente. “O tratamento é igual para todos, ninguém será injustiçado”, diz o diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep, Heliton Ribeiro Tavares.

Outra consequência prática do uso da TRI é que o candidato não terá nota, mas pontuação. Mesmo que o gabarito indique 20 acertos num conjunto de 40 itens, isso não significa 50% de aproveitamento. Tudo por causa dos pesos diferentes de cada questão. “Haverá questões em que se cobrará mais de uma habilidade para ser resolvida”, afirma o consultor pedagógico Carlos Piatto.

“Só um especialista consegue calcular a pontuação final do aluno”, afirma Tavares, do Inep. Ele garante, porém, que, após os exames, previstos para o fim de semana de 3 e 4 de outubro, será divulgado tudo o que for necessário para os candidatos entenderem como foram avaliados: prova, gabaritos e parâmetros.(…)

(Carolina Stanisci, Elida Oliveira, Ana Bizzotto e Bruna Tiussu escrevem para “O Estado de SP”)