O deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP) defendeu, no dia 26, a decisão do Tribunal de Justiça do Rio, de suspender as cotas sociais e raciais em universidades do estado, sob o argumento de que a medida provoca um “acirramento” de relações sociais e pode provocar discriminação no mercado de trabalho.

Provocado pelo deputado, o Tribunal de Justiça do Rio suspendeu a Lei Estadual 5.346 que prevê cotas para negros, índios, egressos de escolas públicas, filhos de policiais e bombeiros nas universidades estaduais.
Segundo Bolsonaro, a lei é discriminatória e pode implicar no aumento do racismo. Sem citar nenhuma pesquisa sobre o impacto da medida no ambiente acadêmico, o deputado informou ter ouvido dos universitários relatos de situações constrangedoras.
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro – a primeira do país a adotar cotas – defende osistema e tenta embargar a decisão judicial para que a execução da liminar seja prorrogada para o próximo ano, já que alunos prestam vestibular no próximo mês.
O reitor da instituição, Ricardo Vieiralves Castro rebate as denúncias de discriminação e informa que uma pesquisa sobre o desempenho dos alunos cotistas - que trará dados também sobre a evasão e o ingresso deles no mercado de trabalho - será apresentada no final do ano.

Segundo o reitor, os cotistas têm direito a 45% das cerca de 5 mil vagas abertas por ano na universidade, embora nem todas sejam preenchidas. Esses alunos podem requerer uma bolsa de R$ 200 por mês e participar gratuitamente de reforço em português, matemática e língua estrangeira.
“O que interessa para nós é que eles saiam bem formados. Nossa preocupação não é a entrada, é a saída. Não fazemos concessão na qualidade, esses benefícios são para que eles tenham melhores condições de estudo, mas não há provas diferentes”, reforçou. (Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil)
É claro que o assunto é extremamente polêmico. Os defensores das cotas falam em uma histórica dívida com determinados grupos. Os críticos falam em racismo, desigualdade e, até, desvalorização do ensino superior. Uma coisa é certa, a cada nova cota as vagas vão reduzindo para aqueles que não se encaixam entre as “minorias”. Alguns alunos dizem ser prejudicados com o fato de não serem negros, pardos, índios, etc.
Uma coisa que achei muito interessante foi o reitor da UERJ, de forma muito coerente, dizer que vestibular é uma coisa séria e que não pode ser modificado de uma hora para outra. Deve haver um tempo de um a dois anos para que toda a sociedade seja comunicada e se adapte a nova realidade. Acho que o Sr. Ricardo Castro devia conversar um pouco com o ministro da educação, Fernando Haddad, e explicar para ele como devem ser feitas as alterações em vestibulares!!!
Para o exame de qualificação nada mudou, pois os alunos ainda não se inscreveriam utilizando as cotas. Vamos ficar atentos, pois tudo ainda pode mudar. Mantenha-se informado. Acesse o Blog do Qi diariamente.
Renato Pellizzari