O ministro-adjunto da Justiça da Grã-Bretanha, Shahid Malik, renunciou ao seu cargo na sexta-feira, dia 15/05, depois de ser acusado de infringir o código de conduta de ministros sobre gastos pessoais. O Código de Conduta Ministerial britânico afirma que integrantes do gabinete não podem usar sua posição de influência para obter vantagens financeiras.

Nas últimas semanas, a imprensa britânica divulgou acusações de mau uso do dinheiro público contra várias autoridades e parlamentares, levando o primeiro-ministro, Gordon Brown, a pedir desculpas em público. Mais de vinte parlamentares e ministros prometeram reembolsar o governo, depois que a imprensa divulgou que eles usaram verbas públicas para despesas pessoais.
Enquanto isso no oriente, o ex-presidente da Coreia do Sul, Roh Moo-hyun, um reformista envergonhado por um escândalo de corrupção que sujou sua imagem, suicidou-se ao pular de uma montanha na manhã do último sábado, informou seu advogado. Roh governou a Coreia do Sul entre 2003 e 2008. Ele tinha 62 anos. O suicídio de Roh surpreendeu e comoveu o país.

No mês passado, os promotores questionaram Roh durante 13 horas a respeito das acusações de que ele teria aceito mais de US$ 6 milhões em subornos de um empresário sul-coreano, quando era presidente. As acusações o deixaram profundamente envergonhado. “Sinto muito por ter desapontado vocês. Não tenho coragem de aparecer mais em público”, disse um Roh emocionado em 30 de abril, antes de dar o depoimento aos promotores.
Ao ler estas notícias sobre a política internacional, eu, como brasileiro, sinto um alívio e uma angústia. Meu alívio se justifica pela retirada de um enorme peso das costas ao comprovar que corrupção não é um “privilégio” brasileiro. Não que eu me sinta menos envergonhado, afinal, um erro nunca justificou o outro. Mas deteriora-se, assim, o resquício de “darwinismo social” que faz com que as pessoas acreditem na inferioridade latino-americana.
No entanto, minha angústia fica por conta da enorme diferença em relação às condutas adotadas pelos políticos nos diferentes países em discussão. Na Inglaterra os envolvidos sentem-se envergonhados e entregam seus cargos. Na Coreia o ex-presidente “entrega” sua vida por não suportar a dor e sofrimento que teria causado aos seus conterrâneos. Infelizmente, no Brasil eles se lixam para a opinião pública, não devolvem o que roubam, dão desculpas absurdas e se candidatam novamente. E o pior, se reelegem!!!
Renato Pellizzari